Homenagem a Haroldo Gomes da Silva, Avaliador de Penhor, 59 anos

Atualizado: Mar 15


É com muita tristeza e pesar que comunicamos a perda de nosso colega Haroldo Gomes da Silva, na última quarta-feira (10/03). Ele estava lotado na Agência São José dos Pinhais/PR.

A notícia foi recebida com consternação pelos Avaliadores, que lamentaram a perda, expressando seus mais sinceros sentimentos, desejando que Deus conforte o coração dos colegas, familiares e amigos.

Dos que partem ficam as saudades e as lembranças do que passou, assim nunca desaparecem totalmente. Neste contexto, é importante lembrar como Haroldo viveu, por isso reunimos alguns relatos de colegas próximos:


Perder um amigo não é fácil

"Nosso ex-colega e amigo Haroldo foi mais uma vítima do Covid. Sentiremos Saudades!!!

Em 2000 fizemos Curso de Formação de Avaliador em São Paulo com Noé e Maria Inês Bittencourt.

Nossa promoção foi assim que retornamos, na Ag 24 de maio (atual Ag Curitiba).

Era uma pessoa alto astral, sempre com muitos sorrisos.

Adorava trabalhar no Penhor, e assim dizia "Isso não é trabalho, é diversão" e soltava aquela gargalhada, contagiando os colegas com sua alegria.

Trabalhamos juntos por mais de 10 anos, depois mudou para Ag Vila Hauer e atualmente estava na Ag São José dos Pinhais.

Falava com muito orgulho e carinho da família, deixou esposa Susana e filha Sara.

Amigo Haroldo, agradecemos pelo período que esteve conosco na Caixa!"

Susana Capoani C. Almeida, Avaliadora de Penhor, Ag. Curitiba/PR


Da esquerda para a direita: Haroldo, Dora, Osni, Susana e Maria Inês (instrutora). Novembro/2019.


“Era uma pessoa de sorriso fácil, solícito, toda hora me chamava para ensinar algo de sua experiência, super atencioso. Tirava minhas dúvidas. Com certeza era uma ótima pessoa! Lembro da risada e da voz dele em minha mente. De lá pra cá telefonei pra ele uma vez para perguntar algo sobre penhor, quando ele ainda trabalhava na Vila Hauer, e sabe quando você sente o sorriso do outro lado? Ele era assim, sempre pronto a ajudar!

Pra mim, fez diferença, pois agregou conhecimento, e pessoas que transmitem o que sabem são sempre valorosas, com alegria ainda, nem se fala!”

Esther Xavier Pedro, Avaliadora de Penhor, Ag. Cristo Rei/PR


“Trabalhava há mais de um ano com ele. Era uma pessoa alegre, de bem com a vida, sempre transformava os acontecimentos do dia-a-dia em piada, motivo para sorrir. Funcionário exemplar, vivia preocupado com o resultado da carteira e principalmente com a inadimplência. Era torcedor do Atlético, apesar de não acompanhar todos os jogos. Muito querido por todos os colegas da agência. Deixou a filha Sara, que é estudante de veterinária, a esposa Susana, um enteado e um neto. O netinho é pequeno, sente saudades e tem perguntado constantemente sobre o Vô Haroldo que não foi mais visitá-lo. Por enquanto, ainda não sabem como dar a notícia a ele. “

Luiz Alberto da Silva, Avaliador de Penhor, Ag. São José dos Pinhais/PR


A Caixa precisa de mim

“A Caixa precisa de mim” disse Haroldo ao sair de casa naquela manhã de segunda-feira. A esposa havia percebido que ele não estava bem e pediu que ficasse em casa, para mais tarde consultar um médico. Ele foi mesmo assim. Preocupado com o resultado do Penhor, com a inadimplência crescente, sem leilões há quase dois anos. Chegando à agência, a vigilante notou em seu semblante que algo estava errado. Por mais que quisesse, não pôde ficar na agência por muito tempo. Eram os primeiros sintomas do Covid.

Infelizmente nosso colega faleceu dois dias depois. A cobrança de metas abusivas, mesmo durante a pandemia, levou milhares de empregados a retornar para as agências e atuar na linha de frente, se expondo ao vírus sem necessidade. Embora a empresa tenha definido oficialmente uma lista de serviços essenciais a serem atendidos presencialmente, da qual o Penhor não faz parte, as metas continuaram impostas, pressionando os gestores da rede, que por sua vez, pressionam os empregados.

Desde o início da pandemia, a ANACEF ressalta que a atividade de avaliação de garantias é de alto risco de contaminação, por envolver a análise de peças de uso pessoal que são trazidas a poucos centímetros do rosto durante a avaliação. Apesar de instada, a CAIXA até hoje não divulgou um protocolo com procedimentos seguros para as avaliações e os EPIs fornecidos não nos protegem do Covid. Além disso, a proibição de higienização das peças pelo risco de danificá-las, combinada à omissão por parte da empresa, ciente de que as avaliações continuam ocorrendo, é um ultraje contra a segurança dos Avaliadores.


Tragédia anunciada

Apesar dos avisos, cobranças ao Gestor do Produto, Superintendências Nacionais e Regionais envolvidas, as concessões de crédito seguiram como se não oferecessem risco aos empregados envolvidos. Só nestes primeiros dias de Março, já foram concedidos 9 milhões em novos empréstimos sob penhor. É preciso destacar que não por acaso a Superintendência Regional na qual Haroldo estava lotado ocupa o segundo lugar no país em quantidade de contratos novos. O colega atuava diretamente na agência, realizando todos os atendimentos relacionados ao Penhor, inclusive avaliações, sem direito a revezamento.


Em razão do ocorrido e do agravamento sem precedentes da pandemia, fazemos um apelo aos colegas Avaliadores, Gerentes, Superintendentes, Gestores do Penhor e da Rede para que suspendam imediatamente as avaliações, bem como as metas, pelo menos até que todos os empregados estejam vacinados e que as devidas orientações sobre os procedimentos com relação às garantias sejam divulgadas. Se não fizerem isso em protesto pela perda do colega, ao menos façam em respeito à própria vida, de seus colegas e familiares.


“Nossa produção reforça o nosso muito obrigado!”

No dia seguinte ao falecimento do colega, enquanto alguns empregados ainda nem tinham conhecimento sobre o fato, os números dos resultados seguiam sendo divulgados no grupo da agência. A gestão local justificou que os colegas não foram informados, porque a manhã havia sido muito intensa, devido aos procedimentos adotados. Referiu-se ao colega como alguém que “amava trabalhar e produzir”, concluindo que a equipe estava o homenageando “com orações e trabalho comprometido, com resultado e motivação”.

O teor da mensagem demonstra que o clima de cobrança por resultados na agência é tão absurdo que, nem neste momento de consternação e luto ao colega, o gerente se furtou a falar sobre produção e resultado.


Nos solidarizamos à dor pela perda e expressamos nossas condolências aos familiares, amigos e colegas, especialmente aos que tiveram o privilégio de conviver com o Haroldo. Agradecemos aos colegas Beto, Esther e Susana pelos depoimentos.


A ANACEF reafirma seu compromisso com os associados e não medirá esforços para levar esta situação a todas as instâncias pertinentes, visando à segurança e saúde dos colegas Avaliadores, bem como prestará todo o apoio necessário à família do colega Haroldo.

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